Experimentar

January 31st, 2009 by Lisete Cerqueira

Estou a adorar a lapidação e o estudo das pedras e gemas. É todo um novo mundo a descobrir, extraordinário e surpreendente.

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Esta Ágata brasileira foi uma das primeiras pedras que lapidei. É uma forma livre e integra-se dentro da classificação de cabochão, embora eu ache um pouco forçada a utilização de cabochão a esta pedra. As ágatas são pedras semi-preciosas, com uma dureza que pode variar entre 6 e 7 na escala de mohs.

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Uma outra Ágata, esta dos estados unidos, que acabei de lapidar esta semana. Vou fazer um pendente em prata com ela. As fotos não estão nada bem pois não tinha o material necessário e tive que improvisar…sorrry.

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Uma das minhas experiências com a técnica de wire wrapping.

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As minhas filhotas gostam muito deste pendente.

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Pendente em wire wrapping, prata com ágata norte americana.

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O mesmo pendente ,mas com uma iluminação diferente. Não é incrível como a pedra muda de aparência?!

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Um outro pendente de prata com ágata norte americana, que ofereci à Mariana no seu aniversário. Ela tinha gostado tanto da peça. Ficou feliz! E eu também.

Em breve espero colocar outros exemplos das minhas novas aventuras por este admirável mundo novo! ;-)

Tanta Neve!

January 26th, 2009 by Lisete Cerqueira

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A alegria de pisar a primeira neve. Este foi o nosso primeiro nevão aqui em Vancouver e logo tinhamos de ter a sorte de apanhar com o maior nevão dos últimos 30 anos!!!

As garotas estavam felizes, mas a Kika era sem dúvida o elemento da familia que mais adorava a neve fofinha. Enterrava a cabeça na neve até às espátulas e depois levantava-a e sacudia toda satisfeita…

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O nosso parque estava irreconhecível, mas lindo. E depois do nevão esteve um dia de sol o que nos proporcionou uma temperatura óptima para desfrutarmos da paisagem.

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Gosto de terminar com um sorriso, hoje a Mariana faz 14 anos e eu aproveito para lhe dar e vos dar a vós também este pequenino presente. ( sou uma mãe babada, bem sei, mas digam lá , não é linda a garota?)

Já Podem Comentar ,-)

January 26th, 2009 by Lisete Cerqueira

O meu blogue esteve com um problema que impedia que as pessoas pudessem deixar comentários, felizmente já está ultrapassado!

Obrigada Pico! Muito obrigada.

Agora estão à espera do quê? Não de godot, por favor….
Beijos e saudades para todos !

Happy Holidays! Feliz Natal!

December 27th, 2008 by Lisete Cerqueira

Feliz Natal!

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São fotografias

December 5th, 2008 by Lisete Cerqueira

Têm-me perguntado em que é que tenho trabalhado… sobretudo aqueles que me conhecem_ sem fazer nada?! Eu?! Impossível! ;-)
Estas imagens são uma pequena amostra do que tenho feito.

Levanto-me cedo e vou para a rua fotografar, os exemplos que se seguem são apenas de parques e do inlet/mar, mas também tenho vontade de fotografar paisagens mais urbanas e humanas, mas como desconheço, ainda, as restrições legais de tirar fotos a pessoas na rua, tenho-me ficado pelas paisagens.

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Podem escrever comentários, eu gosto do vosso feedback.

Dia das Bruxas

November 4th, 2008 by Lisete Cerqueira

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O dia das Bruxas no Canadá é vivido com a mesma intensidade que o Carnaval é no Brasil.

As pessoas investem tempo e dinheiro para se mascararem e criarem partidas, decoram os exteriores das suas casas com elementos “assustadores”, que podem resumir-se a uma abóbora iluminada ou serem muito rebuscados, e envolvendo todo o tipo de efeitos cénicos e sonoros!

As crianças e os jovens para além de se mascararem têm ainda a felicidade de serem autorizados a andarem em grupos a baterem às portas pedindo “Treat ou Trick”, na maioria das vezes são presenteados com montes de doces, mas geralmente têm também que passar por umas quantas partidas! ;-)

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As minhas filhas estavam excitadas e felizes com o seu primeiro halloween no Canadá.

Creio que eram as bruxinhas mais sorridentes que já andaram a bater àquelas portas.

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Esta ultima casa era um bom exemplo da complexidade que algumas decorações assumem! E tinha uns sons horripilantes…brrrrrr

Port Moody, Cidade das Artes

October 25th, 2008 by Lisete Cerqueira

A pequena cidade à beira mar plantada, que escolhemos para viver esta nossa aventura Canadiana, chama-se Port Moody e tem como lema, “a cidade das artes”.É mesmo pequena e em Portugal dificilmente seria uma cidade. Tem uma malha urbana muito bem pensada e que eu gosto particularmente pelo papel e cuidado que foi colocado na variedade e qualidade dos espaços verdes que a integram. Creio que tem, neste momento, mais espaços verdes do que “urbanos” propriamente ditos.

Tenho a certeza de que fará as delícias do meu irmão e dos meus amigos; Isabel; Adriano e Sérgio. Mas, o que me surpreende é mesmo o facto de tudo ser visivelmente pensado. As estruturas não surgem neste terreno porque é o que a câmara dispõe, mas porque é o local adequado e o que melhor irá servir a comunidade para qual foi pensado e construído.

Os espaços verdes, quer sejam pequenos jardins de um condomínio particular quer de um parque público, são edificados com uma atenção ao detalhe que me espanta. A colocação dos bancos é estudada para que as pessoas possam usufruir das perspectivas mais atraentes do espaço. As árvores são escolhidas de forma a darem sombra no verão e deixarem passar o sol de inverno… as cores e variedades de flores e arbustos têm em conta a sua variação ao longo das diversas estações do ano, por forma a darem sempre um conjunto harmonioso de tons. São espaços lindos.

Qualidade de vida. Para mim, isto é sinónimo de qualidade de vida.

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Rocky Point Park, aproveita o braço de mar em redor do qual se desenvolveu a cidade.

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Ao fundo e do lado esquerdo ainda se consegue vislumbrar os novos prédios da mais recente zona urbana (habitacional e comercial) da cidade. Que é onde nós estamos a viver. Este parque está à distancia de um passeio de dez minutos a pé, ou a cinco se viermos de bicicleta.

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Um cheirinho a Outono Canadiano

October 22nd, 2008 by Lisete Cerqueira

O Outono nesta belissíma província Canadiana é fantástico! Até agora tem sido bastante seco, felizmente.
Dizem-me que não é tão espectacular como em outras províncias em que os áceres e plátanos dominam a vegetação, mas ainda assim é muito colorido. Delício-me durante horas a fio, com a paisagem de que usufruo da minha secretária.

Ainda não tenho muitas fotos mas já vos posso dar um cheirinho, deste meu primeiro outono Canadiano.

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Entrada do parque do Shadbolt Center, uma espécie de Fundação como a nossa de Serralves.

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Outra perspectiva do parque e do edifício.

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Linda, não?

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E naturalmente que não tinha melhor forma de terminar esta entrada, no meu já há muito abadonado blog, do que com a foto da minha filhota mais velha em primeiro plano e o resto da troupe ao fundo, no meio de toda esta cor.

EU VOU!

March 4th, 2008 by Lisete Cerqueira

Eu vou à manifestação do dia 8 de Março:

Demonstrar o meu desacordo, desalento, desconsolo, desapontamento;

Manifestar a minha desconfiança num Governo/Ministério que insiste em maltratar, desconsiderar, despromover a educação em geral e os Professores em particular;

Exigir que o Ministério se comporte à altura das suas funções e se deixe de comportamentos irresponsáveis e com consequências tão graves para Portugal.

Eu vou, porque além de ser professora, sou também encarregada de educação e quero o melhor para as minhas duas filhas!

Eu vou e espero que muitos milhares de pessoas demonstrem a sua preocupação com esta situação tão grave, do mesmo modo que eu, participando na Marcha de 8 de Março.

E, já agora, lanço-vos uma proposta de slogan que, não sendo da minha autoria, estou autorizada a divulgar:

” Não é tarde nem é cedo, a ministra é um Penedo!”

Quero jogar!

January 17th, 2008 by Lisete Cerqueira

Um dos meus momentos de prazer mais saudáveis e que felizmente posso partilhar com o resto da minha familia é quando jogo ténis. Porém, como o local onde vivemos não dispõe de courts cobertos, há já várias semanas que não jogamos…

Já chega de chuva!

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Enfim, parece que a chuva nos vai dar alguns dias de descanso e vamos finalmente poder regressar aos bons hábitos. ;-)

Be Happy!

December 30th, 2007 by Lisete Cerqueira

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To All my Friends and Family, I wish them all a Happy Holiday!

Poesia Gráfica

October 28th, 2007 by Lisete Cerqueira

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To Love,

Always!

To love you,

Yes.

Walking On Apúlia

March 9th, 2007 by Lisete Cerqueira

Inverno. Numa segunda feira à tarde, não muito fria, mas quase sem sol.

Passeando por uma praia deserta, de gente, mas repleta de estímulos sensoriais, envolvida por sensações e sentimentos, memórias de infância…

O vento sopra, mas não incomoda, na realidade sabe bem, mantém-me desperta e atenta. Estou protegida, creio.

O cheiro é intenso, gostoso, envolvente como o vento que nunca abranda.

As sensações são usufruidas sem restrições. Passeio livremente. Estou só, mas não me sinto sózinha. Estou a poucos minutos de casa, à distancia de um clic de telemóvel para comunicar com…

Penso em todos aqueles com quem gostaria de partilhar estes momentos, e sorrio, não são muitos, mas chegam-me.

Registo alguns momentos com a minha máquina, para mais tarde os poder partilhar, revisitar e mais uma vez os saborear.


Tão serena.

Se ao menos a água não estivesse tão fria …

Estatuto da Carreira Docente, a quem serve?

January 22nd, 2007 by Lisete Cerqueira

A 19 de Janeiro de 2007, foi publicado o Estatuto da Carreira Docente, um dia de luto nacional, decretado por alguns, mas sentido por muitos. As verdadeiras consequências deste acto, só se farão sentir a médio ou longo prazo, por isso é tão fácil para o poder politico não pensar nele.

Não esperem encontrar mais do que um conjunto de desabafos. Não estou preocupada em apresentar as provas do crime, apenas em me juntar ao grupo de vozes que grita: Fomos Injustiçados!

O Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário
(adiante designado abreviadamente por Estatuto da Carreira Docente), aprovado pelo Decreto-Lei
n.o 139-A/90, de 28 de Abril, e depois substancialmente alterado pelo Decreto-Lei n.o 1/98, de 2 de Janeiro,
cumpriu a importante função de consolidar e qualificar a profissão docente, atribuindo-lhe o reconhecimento
social de que é merecedora. Contudo, com o decorrer do tempo e pela forma como foi apropriado e aplicado,
acabou por se tornar um obstáculo ao cumprimento da missão social e ao desenvolvimento da qualidade e eficiência do sistema educativo, transformando-se objectivamente num factor de degradação da função e da
imagem social dos docentes. Para tanto, contribuiu em particular a forma como se concretizou o regime de
progressão na carreira que deveria depender do desenvolvimento das competências e da avaliação de desempenho dos professores e educadores. Contudo, a formação contínua, em que o País investiu avultados recursos, esteve em regra divorciada do aperfeiçoamento das competências científicas e pedagógicas relevantes para o exercício da actividade docente.

Caros senhores, se identificam o problema e reconhecem o erro porque não mudam a estratégia. Paguem as propinas dos docentes que se candidatem a mestrados em educação; promovam a certificação de seminários sobre e para a educação, desde que ministrados sobre temáticas relevantes e por oradores credíveis. Permitam e fomentem a participação em colóquios internacionais, nacionais e ou regionais como formação com créditos; permitam que sejam os docentes a escolher os temas que lhes interessam … Sabem que este ano foram recusadas todas as formações que não fossem sobre as TIC?

Mas porquê?!

Portugal tem imensas pessoas a reflectirem sobre a educação com ideias inovadoras, criativas e pertinentes, não seria nada difícil encontrar por parte destes o interesse em partilhá-las com os docentes, de modos interactivos. Sairíamos todos a ganhar, sem que para isso fosse necessário um esforço económico suplementar ao que já é realizado.
Questões elementares como esta, são uma constante.

Não pertenço ao grupo de pessoas que considera que o anterior estatuto era perfeito, longe disso. Nem me reconheço no papel do velho do Restelo. Sei reconhecer a importância da mudança para que haja evolução, mas não consigo aceitar, nem entender, governos e presidentes de governo, que se escondem por detrás de discursos construídos com meias verdades. Supostamente para fazer crer aos mais distraídos ou porventura sem acesso aos meios de informação não manipulada- que realmente vão escasseando, é verdade- que os professores portugueses, são um conjunto de malandros que não trabalham, não têm qualquer sentido de responsabilidade, pois são faltosos e desinteressados que sugam os magros recursos do estado, sem contribuírem para o seu desenvolvimento.

A ser verdade, este cenário que nos apresentaram, acreditam que o Estado não dispõe de meios para punir tais infracções?

A ser verdade, por favor despeçam tais incompetentes, recrutem dentro do privado pessoas com carácter e competências adequadas a ensinar os nossos filhos! Mas os professores que leccionam no privado, são os mesmos …

Mas é possível acreditar que milhares de professores são o que o ministério diz serem? Escolhem apenas o refugo dos cidadãos e canalizam-nos para o ensino?
Faz sentido para alguém, que tenha havido desenvolvimento, sem o empenho e sentido de dever dos professores Portugueses? Que até fazem parte do pequeno grupo de contribuintes cumpridores?

Não consigo acreditar.
Todos terão, por certo, consciência da importância da educação no desenvolvimento de um país, mas a forma como essa educação deve ser implementada, varia consoante as posições/ visões politicas de cada um. Sendo todas passíveis de critica/ elogio, pois nenhum projecto em educação se pode considerar, alguma vez, perfeito e concluído, é sempre possível alterar para melhor ou para pior, mas nunca deve ser algo de imutável. Isso seria completamente contrário ao conceito de educação_ algo em permanente construção e evolução. Queria portanto, deixar claro, que não sou contra a mudança em si mesma, pelo contrário sou muito a favor. Sou contra a falsa mudança. Este estatuto é a camuflagem que o governo necessitava para poupar numa área que consensualmente todos dizem é fundamental investir. E por favor não reduzam tudo a dinheiro. Quando falo de investimento falo em sentido lato. Investir nas pessoas, no conhecimento, na investigação, e claro também nos equipamentos e edifícios adequados.

Os professores portugueses não são diferentes dos outros professores de qualquer parte do mundo, a todos move o mesmo desejo: ensinar os jovens a serem indivíduos conscientes, livres e cultos.

Gostaria de ter um estatuto que fosse o reflexo disso mesmo. Um estatuto que realmente avaliasse e premiasse a dedicação e empenho dos professores, este não o faz, infelizmente para todos nós.

A educação sexual e a Escola

January 15th, 2007 by Lisete Cerqueira

REFLEXÃO PESSOAL

A EDUCAÇÃO SEXUAL E A ESCOLA

BREVE INTRODUÇÃO
Sou professora e faz parte das minhas atribuições a leccionação de um programa de educação sexual e dos afectos que o agrupamento de escolas a que pertenço implementou em 2002. É suposto que o programa seja transversal e que a sua implementação ocorra integrada nos conteúdos específicos de cada disciplina. Não se conseguiu implementar de forma satisfatória. Esta foi uma das razões que me fez inscrever na acção “Os Desafios da Educação Sexual e Afectiva na Escola”. Esse foi o ponto de partida, mas no decorrer das sessões da acção, muitas outras questões/preocupações se formularam e me colocaram perante novos desafios. As que aqui coloco e tento responder, sem a pretensão de trazer algo de novo, apenas desejando manter o espírito aberto e a mente clara e desse modo contribuir para transmitir aos meus alunos a capacidade de reflectirem e chegarem às suas próprias conclusões, são algumas das que considero mais relevantes.

AS QUESTÕES

Quais devem ser os responsáveis por uma educação sexual que permita uma visão consciente da sexualidade, a fim de que a sua vivência possa proporcionar mais saúde e bem-estar e menos dor e sofrimento? A Família e/ou a Escola?

A resposta parece óbvia: a Família e a Escola; mas se não nos satisfizermos com respostas superficiais, então tudo fica mais complicado. Não existe uma só resposta. Teremos tantas quantas as teorias sobre a melhor forma de educar; cada uma delas assente em valores e crenças próprias das diferentes sociedades e culturas. Sempre que se fala de sexualidade está-se a tratar de um assunto que ao mesmo tempo diz respeito ao indivíduo, pois a cada um de nós cabe a escolha de como queremos viver a nossa sexualidade, mas também à sociedade, pois temos que manter o respeito pelas regras da sociedade em que estamos inseridos. Falar de educação deve ser falar da construção do indivíduo consciente, reflexivo e autónomo, cujos actos e opções se baseiam no conhecimento que tem da realidade e de si mesmo. Assim, é minha convicção que tanto a Escola quanto a Família ou mesmo a sociedade em geral, desempenham um papel fundamental na educação sexual do jovem, mas que pelas características próprias da instituição Escola, esta podia exercer um papel de grande relevância nesta matéria, ajudando os jovens a reflectirem e a descobrirem por si mesmos o modo como querem viver a sua sexualidade e a fazerem-no com segurança e de modo informado. Não acredito que à Escola caiba apenas a função esclarecedora do funcionamento fisiológico do sistema reprodutor, ou das doenças sexualmente transmissíveis. Se somos capazes de ensinar a interpretar textos líricos e obras de arte, então também devemos poder ensinar, aos jovens, conteúdos com base em informações objectivas, para que estes possam encontrar e criar os seus próprios valores e aprender a respeitá-los. Embora reconheça que esta é porventura a mais complexa de todas as tarefas pois implica que o professor seja capaz de se coibir de emitir juízos de valor ou de apresentar os seus valores como os valores.

“O objectivo da educação sexual é a promoção de uma sexualidade flexível, responsável e gratificante, ajudando as crianças e os jovens a aumentarem as suas capacidades de decisão e auto-estima ao nível sexual. Neste sentido, quanto mais cedo se iniciar, melhor as crianças aprenderão a tornar-se sensíveis às suas necessidades bem como às dos outros, a apreciar e a respeitar as diferenças inter-indivíduais e a tomar consciência das semelhanças.”

Nodin, Nuno; http://www.sentidosesensacoes.pt/texts/nuno1.html

Orientação sexual: como pode a Escola ajudar sem interferir com os valores da Família?

A educação sexual, como diz Nuno Nodin no seu artigo “O que é a educação sexual”, “se refere a todas as formas de transmissão de valores e informações sobre sexualidade, nas suas múltiplas e variadas dimensões. Inicia-se logo desde o nascimento, na forma como os pais se relacionam com a criança e nos comportamentos que os reforçam ou inibem. É veiculada em termos sociais, nas normas existentes sobre o comportamento que é considerado apropriado para os indivíduos, de acordo com o seu sexo e idade. Passa também pelas mensagens que são divulgadas através dos meios de comunicação social, como sejam a televisão, o cinema e a publicidade, mensagens que, por vezes, são contraditórias, transmitindo ideias confusas sobre o comportamento masculino e feminino em termos sexuais e sociais.”Assim, se o jovem está exposto desde que nasce a um conjunto tão variado de valores e informações, que até podem ser contraditórias, não será positivo que a Escola possa servir de meio desmistificador e esclarecedor, de forma imparcial, objectiva e informada, e desse modo ajudando os jovens a construírem a sua orientação sexual de uma forma mais segura? A orientação sexual não se esgota na escolha do parceiro sexual. São as questões do papel de género que, como as sociedades, se vão alterando; ou das normas sobre os comportamentos ( os jovens dos anos setenta do século vinte tiveram uma vivência muito distinta dos jovens deste início do século vinte e um, com regras e normas próprias da sociedade de então). Se a Escola souber manter-se actualizada poderá cumprir com o seu dever de formar jovens com ideias próprias, sem ter de se preocupar se está a interferir ou não com os valores da Família, pois também ela está sujeita a transformações e adaptações.

Como pode a escola educar para o respeito pela diferença se a própria sociedade se apresenta apenas como heterossexual, remetendo as outras formas de expressão sexual para a obscuridade?

Colocando-se um passo à frente. A educação sexual é ainda muito recente nas Escolas para se poder sentir o seu reflexo no modo como a sociedade se comporta, mas estou em crer que dentro de algumas décadas essa diferença far-se-á sentir no modo como olhamos os outros e as suas orientações sexuais. Encontrei um artigo que coloca algumas questões que me parecem muito pertinentes como forma de lançar a discussão entre os jovens (mas não só) de modo a obrigá-los a reflectir sobre estes assuntos (Val Lunn, ACW Talking Point March, 1993). A Escola pode contribuir para fazer respeitar a diferença. Pessoalmente questiono mesmo a forma como a sociedade cataloga as orientações sexuais, dividindo-as em normais (heterossexuais) e diferentes (homossexuais; bissexuais, etc.). Começa hoje a ser consensual que a orientação sexual do indivíduo se constrói/transforma ao longo da sua vida; no entanto parece-me que temos uma grande necessidade de rotular, compartimentando cada fase, como sendo isto ou aquilo, e não a entendendo como um percurso próprio de quem se vai construindo como pessoa ciente/inteligente, logo em permanente evolução/alteração.

A cultura ocidental oferece-nos mensagens muito claras quanto às expressões da sexualidade que acha correctas ou não. Todos somos criados para acreditar que a nossa sexualidade está definida de uma forma muito rígida, ao ponto de que se pensa que é heterossexual e que não se pode de algum modo sentir atraído por pessoas do mesmo sexo. O único comportamento sexual aceitável tem de acontecer inserido no contexto de um casamento heterossexual e ter como último objectivo produzir crianças. A sexualidade das lésbicas, gays e bissexuais desafia e ameaça as regras não só sobre o comportamento sexual aceitável, mas também as ideias tradicionais do que é ser feminino e masculino.”

Val Lunn, ACW Talking Point March, 1993

“Não faças assunções a cerca da sexualidade das pessoas. Uma das formas em que ser lésbica ou gay difere de outros grupos oprimidos é que não é sempre óbvio quem é lésbica ou gay. Estima-se que 1 em cada 10 pessoas é lésbica ou gay. Isto quer dizer que existem lésbicas e gays na tua família, entre os teus amigos e colegas (inclusivé aqueles que se encontram casados).”

Questões
Usarias um crachá a dizer “Como se atreve a presumir que sou heterossexual? ? Se não, porque não?
Consegues pensar em três aspectos positivos da forma de vida lésbica, gay ou bissexual?
Consegues pensar em três aspectos negativos da forma de vida heterossexual?
Achas que as pessoas lésbicas, gay ou bissexuais podem influenciar as outras pessoas a tornarem-se lésbicas, gay ou bissexuais? Achas que alguém poderia influenciar-te de modo a mudares a tua orientação sexual?
Se és/fosses pai ou mãe, como te sentirias/sentes com a possibilidade de ter uma filha lésbica ou um filho gay?
Como achas que te sentirias se descobrisses que um dos teus pais ou irmãos é lésbica, gay ou bissexual?
Achas que há algum tipo de emprego que as pessoas lésbicas, gay ou bissexuais não
deveriam exercer? Se sim, quais?

Se alguém de quem gostasses te dissesse “Acho que sou homossexual”, sugerir-lhe-ias ver um terapeuta?”

Val Lunn, ACW Talking Point March, 1993

O que deve/pode ser considerado normal na forma como cada um de nós vive a sexualidade?
Gabriela Moita em entrevista à KORPUS em 2003, tenta explicar/compreender porque é que a sociedade demonstra tanta incompreensão face a algumas opções de orientação sexual. “0 meu objecto de trabalho é a sexualidade em geral. Os rótulos são coisas que nos põem socialmente. Porque gostamos de pessoas do mesmo sexo, passamos a ser homos. A minha motivação de trabalho são as questões da sexualidade porque a sociedade estrutura-se através da sexualidade. Ao fim e ao cabo, são as questões sociais. Em particular, este núcleo que dicotomiza a sociedade e que a estrutura imediatamente através do sexo, porque divide logo os homens das mulheres. E ao fazer isso, distribui uma série de papéis. Cada uma dessas pessoas deve gostar por ser homem ou mulher.

Portanto, não podia deixar de focar, e abordar também, as questões ligadas às orientações”.E mais adiante continua dizendo: “Como disse, o mundo está dicotomizado e dividido entre as questões de género. Somos discriminados por sermos homens ou mulheres. Mas a discriminação torna-se ainda mais forte quando as pessoas, além de serem homens ou mulheres, gostam das pessoas do seu sexo. Portanto, tenho-me dedicado a esta área pela incompreensão das razões pelas quais essa discriminação existe.”

Gabriela Moita em entrevista à KORPUS,nº22.

Viver em pleno os seus afectos, emoções e paixões; no respeito para consigo e para com os outros; fazendo as suas escolhas em consciência e de acordo com os seus próprios valores. Não existe uma via normal na forma como vivemos a nossa sexualidade. Existem sim, muitos preconceitos e tradições religiosas que nos querem fazer crer que só há uma forma de viver a sexualidade e que todas as outras são perniciosas.

Breve Conclusão

Em Portugal temos dois pesos e duas medidas: o politicamente correcto e a prática ou realidade. O programa de educação sexual e dos afectos do meu agrupamento é politicamente correcto, mas na prática não funciona. Os professores raramente têm disponibilidade para adaptarem alguns dos seus conteúdos ao dito programa. Não se entenda que critico apenas os professores, pois não é essa a minha intenção. Critico um sistema que se esconde por detrás de programas de difícil exequibilidade para quem tem tanta falta de recursos, quer ao nível da preparação teórica, quer de tempo e espaço, para no decorrer do ano lectivo poder prescindir das suas aulas (que na maioria das vezes são insuficientes para cumprirem os programas longos das suas disciplinas) e adaptarem alguns dos conteúdos de forma a darem algo que vagamente se relaciona com educação sexual e dos afectos, sem se estabelecer um verdadeiro fio condutor entre as disciplinas para que os alunos possam estabelecer relações e daí tirarem verdadeiro partido da pluralidade de informações e pontos de vista. Esta acção teve o mérito de trazer alguma luz sobre esta temática, sobretudo na perspectiva do professor e do modo como este se deve posicionar perante o aluno. Apetrechou-nos com ferramentas simples mas eficazes: o saber colocar questões abertas, ou o tratar as dúvidas dos alunos com objectividade sem fazer juízos de valor; deu ainda a conhecer bibliografia especializada e adequada aos diferentes níveis de ensino. Colocou os docentes no seu papel de elucidadores, sem receio de dizer: não sei, mas vou procurar saber. Acredito que saímos todos com um reforço positivo da nossa assertividade e segurança no tratamento da educação sexual.

Lisete Cerqueira

Póvoa de Lanhoso, 18 de Junho de 2006

Trabalho realizado no âmbito da acção de formação “Os Desafios da Educação Sexual e Afectiva na Escola” sob a orientação da Psicóloga Leonor Alves

Coming Home, after Dante

July 21st, 2006 by Lisete Cerqueira

Everything appeared normal up until here…

A very desolate landscape. Words to describe it? No words, just an immense sorrow.

RockinRio/Lisboa 2006

July 20th, 2006 by Lisete Cerqueira

Foi uma experiência feliz, esta minha primeira incursão no festival do RockinRio de Lisboa. Boa companhia, milhares de pessoas mas sem atropelos de qualquer espécie. Uma organização exemplar.

O espaço onde decorreu o festival era muito agradável, bem concebido,era visível o cuidado posto na escolha das plantas e nos diferentes pisos usados, adequando-os ao uso a que se destinavam.

Uma multiplicidade de eventos, pontos estratégicos com os elementos essenciais; bebidas,comidas e casas de banho.

A segurança foi também fantástica. Por todo o lado havia equipas móveis do inem e da policia ou seguranças privados.

Se ainda estiver em Portugal repito em 2008!

Um agradecimento muito especial às meninas: Ju; Crau e Ni, vocês são FORMIDÁVEIS!


Mesmo não sendo uma cantora que eu aprecie muito, foi excitante.

A tenda eletrónica, com um design muito bem conseguido.

Yeheeeeééééééé….

O hot stage, para os iniciados… muito bom, boas bandas!

Uma breve pausa entre concertos, para mensajar e bilhardar, claro!

Vibrante!

Um verdadeiro mar de gente.

E estavamos de volta à gare que nos viu chegar. Um novo dia nascia, e com ele se esgotavam as nossas ultimas energias…

O nosso comboio estava atrasado uns minutos… mas para nós esse esforço suplementar pareceu-nos muito mais pesado do que uns meros minutos. Valeu mesmo a pena!

Fotos do Funchal, Natal 2005

July 20th, 2006 by Lisete Cerqueira

Babosas

Antigo Engenho

Ilhéu na baía do Funchal

Molhe do antigo Engenho

Pescadores no molhe do Antigo Engenho

Pescadores no molhe do Antigo Engenho

Lido, estância balnear

Estrelícia

Pôr de sol na Baía do Funchal

Pôr de sol

Pavilhão Verde, a criação de um espaço diferente na Escola

July 9th, 2006 by Lisete Cerqueira

Apresentei ao Conselho Executivo da escola em que lecciono, a possibilidade de transformação de um espaço do exterior desta, que estava a ser utilizado como depósito de “lixo”, num centro de recursos. O excerto do texto que agora apresento serve para esclarecer o que consubstanciou essa proposta.

“Os espaços exteriores, neste momento, não representam condignamente a importância do trabalho que é desenvolvido pela sede de Agrupamento de Escolas Professor Gonçalo Sampaio. Afinal são eles o primeiro cartão de visita da sede. O seu rosto, há que remodelá-lo.

O espaço físico da escola tem a grande vantagem (se for aproveitado nesse sentido) de permitir uma enorme diversidade de utilizações. Neste momento só lhe damos um tipo de utilização: lúdica. No entanto, estando estes espaços inseridos numa escola, deviam ser vistos também como os centros de recursos que realmente podem ser, como uma biblioteca biológica. É muito importante que a escola se actualize e que crie mais e melhores ferramentas pedagógicas.

Alguns dos colegas que leccionam ciências já os utilizam esporadicamente, mas se os organizarmos de forma a permitir um aproveitamento mais ordenado/sistematizado isso reverterá em prol de toda a comunidade e não apenas dos nossos estudantes da EB 2/3 Professor Gonçalo Sampaio, tendo a vantagem acrescida de abrir, ainda mais, a escola à comunidade.

Infelizmente com a falta de manutenção dos últimos anos, os nossos jardins têm vindo a degradar-se de uma forma muito acelerada. A falta de manutenção está associada à escassez de meios humanos que, por razões alheias à escola, se tem agravado de ano para ano. Estes espaços foram concebidos de tal forma que só com uma manutenção permanente se podem preservar. Hoje, isso está totalmente fora de questão e há que remodela-los adequando-os à nossa actual realidade, aproveitando para os tornar em mais uma ferramenta pedagógica em prol da educação dos nossos alunos.

Proponho a criação de um espaço que por um lado resista à utilização de uma grande comunidade, e que se adapte às circunstâncias económicas da nossa escola, mas sem deixar de ser um lugar único, apelativo e estimulante à aprendizagem dos nossos jovens estudantes.”

A proposta foi bem acolhida pelo CE da escola e o diaporama que se apresenta, foi o resultado da minha tentativa de registar todas as fases por que foi passando.

Diaporama em formato PDF

Hello world!

June 30th, 2006 by Lisete Cerqueira

Este é um blogue sem preconceitos. É um espaço que se deseja aberto ao diálogo.

As temáticas serão tão diversificadas quanto os interesses da autora.

Arte; educação;fotografia; design;política; sexo …

Até muito breve!